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domingo, setembro 25, 2005
 
a noite sentou-se ao meu lado e ainda que não a quisesse, veio me fazer companhia. não há silêncio no mundo e há quem silencie, mudo. a chuva, o fogo ardendo atrás de mim, o ressonar morno do cão, o remexer de cobertores entre as pernas do homem deitado, os cliques e toques da madeira da casa, o vento que sopra suas angústias e minhas saudades, o mar ao longe inventando ou mais uma onda ou menos um barco, são todos ruídos da noite, são todas as conversas entre ela e eu. nada pode ser mais barulhento do que o silêncio.

acabo de fechar as páginas do livro e suas histórias mantêm-se vivas dentro da minha cabeça. Pedro Juan Gutierrez, o escritor, chegou tão próximo de mim com suas histórias quanto poderia chegar se as contasse pessoalmente. é tanta intimidade que me pergunto quantas pessoas das quais conheço já se mostraram reais. há mais realidade nos livros de P.J.G. do que nas pessoas de carne e osso. ou será que há mais realidade na vida de P.J.G. do que na vida que me interpreta?

o vento intensifica seus lamentos fazendo os outros gritarem por ele. as telhas e vidros reagem com força e as árvores balançam suas folhas até que a luz da rua possa entrar e sair pelas janelas da casa como que levadas pela música. olho para todos os lados procurando um vestígio de gente, mas o que sempre encontro é o que não quero encontrar: a noite, a chuva e o vento.


 
a felicidade, quando é felicidade, nos traz a sensação de que nunca vai acabar, mas sempre passa. a tristeza, quando é tristeza, nos traz a sensação de que nunca vai acabar e mesmo que se esconda atrás da felicidade, ela nunca passa. há sempre um resquício de tristeza, há sempre uma ilusão de felicidade.


sábado, setembro 10, 2005
 
A morte é uma experiência solitária.


quarta-feira, setembro 07, 2005
 
leve o tempo que me leva como leve é o tema da música que me leva. às vezes e só às vezes ruído da rua ruindo o silêncio. quebra. desvio o olhar da tela e outra tela se abre. ninguém. livro alto, bolsa na favela, pássaro e memória. de quando éramos quatro. de como somos dois. da solidão de sermos só. e nada me conforta além das mãos e da companhia do deletar, salvar, copiar. são tantos os atalhos para a vida mas descobrimos logo que todos eles nos levam e nos levarão sempre para o mesmo fim. pense na falta de pontuação, coerência e gramática. depois deslize os olhos aos erros, errante nas linhas, feliz na construção. quando conseguirmos esquecer do outro, romperemos os muros que nos prendem ao cotidiano de nós mesmos.



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