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domingo, novembro 27, 2005
quando já não há mais sopro de vida, mesmo assim, a pessoa não finda nem se conclui. continuamos a tecer impressões sobre ela, a colher sensações, a julgar o que não merece julgamento. quando penso nela, pensamento algum aparece. só sinto que a amo e já não sei o que pensar dela. ela fez e se desfez para se sentir amada. olhe bem o céu, quando ele escurecer toda cidade vai brilhar. inseticida-impróprio- popular. terça-feira, novembro 01, 2005
tem dias em que a gente não tem nada para dizer. deve ser porque deu falha na leitura óptica do meu ar condicionado que ventila as informações. sexta-feira, outubro 14, 2005
falta um tanto de coragem no homem. há medo da farda, do poder, da autoridade. (de uma falsa farda, de um falso poder, de uma falha autoridade.) aonde estarão os pensadores modernos? pensando em suas casas sobre a desordem do mundo. compondo músicas que ninguém ouve, escrevendo livros que ninguém entende. cadê o povo lutando pelos seus direitos? a gente olha, acha estranho tudo, mas entra no carro, volta para casa e não faz nada. e o outro também não faz nada. e aquele também não. ah, para que se incomodar? domingo, outubro 09, 2005
O seu amor música e letra: Gilberto Gil 1976 O seu amor Ame-o e deixe-o Livre para amar Livre para amar Livre para amar O seu amor Ame-o e deixe-o Ir aonde quiser Ir aonde quiser Ir aonde quiser O seu amor Ame-o e deixe-o brincar Ame-o e deixe-o correr Ame-o e deixe-o cansar Ame-o e deixe-o dormir em paz O seu amor Ame-o e deixe-o Ser o que ele é Ser o que ele é Ser o que ele é Onde quer que estejamos juntos multiplicar-se-ão assuntos de mãos e pés e desvãos do ser...Caetano Veloso domingo, setembro 25, 2005
a noite sentou-se ao meu lado e ainda que não a quisesse, veio me fazer companhia. não há silêncio no mundo e há quem silencie, mudo. a chuva, o fogo ardendo atrás de mim, o ressonar morno do cão, o remexer de cobertores entre as pernas do homem deitado, os cliques e toques da madeira da casa, o vento que sopra suas angústias e minhas saudades, o mar ao longe inventando ou mais uma onda ou menos um barco, são todos ruídos da noite, são todas as conversas entre ela e eu. nada pode ser mais barulhento do que o silêncio. acabo de fechar as páginas do livro e suas histórias mantêm-se vivas dentro da minha cabeça. Pedro Juan Gutierrez, o escritor, chegou tão próximo de mim com suas histórias quanto poderia chegar se as contasse pessoalmente. é tanta intimidade que me pergunto quantas pessoas das quais conheço já se mostraram reais. há mais realidade nos livros de P.J.G. do que nas pessoas de carne e osso. ou será que há mais realidade na vida de P.J.G. do que na vida que me interpreta? o vento intensifica seus lamentos fazendo os outros gritarem por ele. as telhas e vidros reagem com força e as árvores balançam suas folhas até que a luz da rua possa entrar e sair pelas janelas da casa como que levadas pela música. olho para todos os lados procurando um vestígio de gente, mas o que sempre encontro é o que não quero encontrar: a noite, a chuva e o vento. a felicidade, quando é felicidade, nos traz a sensação de que nunca vai acabar, mas sempre passa. a tristeza, quando é tristeza, nos traz a sensação de que nunca vai acabar e mesmo que se esconda atrás da felicidade, ela nunca passa. há sempre um resquício de tristeza, há sempre uma ilusão de felicidade. sábado, setembro 10, 2005
quarta-feira, setembro 07, 2005
leve o tempo que me leva como leve é o tema da música que me leva. às vezes e só às vezes ruído da rua ruindo o silêncio. quebra. desvio o olhar da tela e outra tela se abre. ninguém. livro alto, bolsa na favela, pássaro e memória. de quando éramos quatro. de como somos dois. da solidão de sermos só. e nada me conforta além das mãos e da companhia do deletar, salvar, copiar. são tantos os atalhos para a vida mas descobrimos logo que todos eles nos levam e nos levarão sempre para o mesmo fim. pense na falta de pontuação, coerência e gramática. depois deslize os olhos aos erros, errante nas linhas, feliz na construção. quando conseguirmos esquecer do outro, romperemos os muros que nos prendem ao cotidiano de nós mesmos. domingo, agosto 28, 2005
"Se você entender que os vivos estão sempre a um passo da morte, perceberá o que há de engraçado na sua conduta; coisa que não perceberia se não entendesse que tudo que é vivo está sempre próximo da morte. Acho que o conselho mais sólido para um escritor, entretanto, é o seguinte: procure respirar profundamente, procure sentir o gosto da comida quando ingeri-la e procure dormir realmente quando estiver dormindo. Procure estar totalmente vivo, o máximo que puder, com todas as suas energias. Quando rir, ria mesmo, gargalhe muito. Quando ficar com raiva, procure ser bom na sua raiva. Tente se manter vivo. Você pode morrer bem antes do que pensa." William Saroyan, no prefácio do seu livro O jovem audaz no trapézio voador. domingo, julho 31, 2005
depois que você foi embora, cresci de repente. me vejo sozinha pelo apartamento e nem o telefone me aproxima de você. estamos em dimensões diferentes, em mundos que não se comunicam. preciso decidir sem o seu voto. preciso me cuidar sem seus conselhos. precisei enfim crescer de repente. quem dera só mais um minuto ao seu lado. tocando sua pele, mirando seus olhos vivos. quem dera voltar no tempo e ter lhe amado mais. cuidado mais de você. ouvido mais o que tinha para me dizer. o tempo te levou, o tempo me leva. é só uma chuva de saudade que inunda a minha alma. é só um choro silencioso que espero que não ouça. pois sou feliz por ter lhe conhecido. sou grata por ter cruzado o meu caminho. tenho mais estrelas dentro de mim do que o céu em minha janela. com saudades sempre, com amor de amora. um pouco de quintana em nossos quintanares... O amor é quando a gente mora um no outro. Dupla Delícia O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado. O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso. O tempo Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando você. As sereias usam fecho ecler. Despertador é bom para a gente se virar para o outro lado e dormir de novo. sábado, julho 30, 2005
O Apanhador de Desperdícios Uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das palavras fatigadas de informar. Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão tipo água pedra sapo. Entendo bem o sotaque das águas. Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes. Prezo insetos mais que aviões. Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis. Tenho em mim esse atraso de nascença. Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos. Tenho abundância de ser feliz por isso. Meu quintal é maior do que o mundo. Sou um apanhador de desperdício: Amo os restos como as boas moscas. Queria que a minha voz tivesse um formato de canto. Porque eu não sou da informática: eu sou da invencionática. Só uso a palavra para compor meus silêncios. Manoel de Barros quinta-feira, julho 28, 2005
vamos fazer amor até que o dia finde, que a noite passe e amanheça em novo dia. vamos fazer amor com as ruas, pelas paredes, na casa. vamos fazer amor em silêncio, na bagunça da conversa, sozinhos. vamos fazer amor porque não há mais nada a se fazer a não ser amar. vamos nos amar em trabalho, em cinema, na mesa. vamos fazer amor enquanto papel, dinheiro e almoço. vamos fazer amor enquanto nos desentendemos, enquanto choramos, enquanto dormimos. vamos amar a chuva porque chove e o sol porque ilumina. vamos amar a colheita, as flores no campo, o trigo. vamos amar o próximo e a nós mesmos. vamos amar nossa imagem, nossa semelhança e nossas diferenças. vamos amar o caminho mais do que a chegada. e o início mais do que o meio. vamos amar sempre e mais. e o que há depois de tanto amar? amor, amor, amor. sexta-feira, junho 17, 2005
a morte é a angústia de quem vive. pena que os seres humanos não vem com data de validade. seria tão menos angustiante esperar pela morte. já vir com rótulo, informando a que temperatura deve ser mantido, do que deve ser alimentado, se deve ficar no escuro ou no dia claro. aquele que não seguisse as instruções saberia que seu tempo de vida na Terra seria menor. ah. mas não é assim. e nunca estamos preparados. ver uma pessoa tão próxima de mim perdendo vitalidade é como assistir a um filme triste da minha própria vida. já sabendo o final da história. só tenho que entender as escolhas dela, que a levaram para isso tudo. e que todo mundo tem seu tempo aqui. o dela já se vai com os dias e com as noites. e o meu tempo ninguém sabe, niguém viu, nem foi informado. quinta-feira, junho 16, 2005
terça-feira, junho 14, 2005
parece que flutuo dentro de outra realidade que não existe. me vejo no espaço por entre as ruas, nas salas e não sou eu. é só uma imagem de mim. sexta-feira, junho 10, 2005
quinta-feira, junho 09, 2005
nature boy Eden Ahbez for Moreno there was a boy a very strange enchanted boy they say he wandrede very far, very far over land and sea a little shy and sad of eye but very wised was he and then one day a magic day he passed my way and while we spoke of many things fools and kings this he said to me "the greatest thing you'll ever learn is just to love and be loved in return." se todos estão na mesma embarcação não há motivo para pensar que com você vai ser diferente. você não faria melhor. entenda. aprendamos com a vida dos outros a sermos pessoas melhores todos os dias. quarta-feira, junho 08, 2005
quando olhamos bem de perto uma flor já não a vemos mais. não distinguimos sua forma, sua cor e sua existência no universo. é só uma quantidade de pontos coloridos. é só um perfume que sai dela, mas não se sabe bem de onde. temos que estender o olhar. olhar a flor de longe. para perceber suas formas, os detalhes que fazem dela rosa ou margarida. fique mais um pouco, observando à distância o seu mundo, os seus amigos, o seu amor. esteja fora da moldura para ver o quanto a pintura da sua vida é bela e preciosa. coloque-se ao longe e perceba como você é uma pessoa privilegiada, que tem ao seu lado gente que pensa, que fala, que ri. gente como a gente, que pode sempre nos ensinar a ser mais gente. a ser mais feliz. se todos pudessem subir à montanha, escalar o monte que clarifica as percepções, não se perderia jamais a oportunidade de estar só mais um instante do lado da pessoa amada. pertinho daquele amigo batuta. colocado aos pés do velho sábio. feche os olhos um instante. recrie por um momento sua existência e valorize cada ser humano que compartilha com você a alegria da vida. sexta-feira, junho 03, 2005
poetas loucos de cara (ver o universo sem alterar a consciência). amantes loucos de cara (gozar a vida só por amar bastante). vamos fugir. e quando a estrada findar, que estejamos sóbrios o bastante para suportar a verdade da existência. terça-feira, maio 31, 2005
a gente está todo o dia aprendendo a viver. contudo, todos os dias morremos um pouco. não importa se estamos saudáveis ou não. a morte é sempre anunciada para todos aqueles que estão vivos. é, amigo, basta estar vivo. sábado, abril 30, 2005
terça-feira, abril 26, 2005
tão bom ter amigos. a vida sem amores é possível. a vida sem amigos não é vida. aos meus amigos do coração e a todos que ainda conhecerei, dedico este dia e todos os que ainda viverei. as coisas acontecem mais rápido dentro da gente quando temos com quem conversar. as dores saram logo porque logo queremos estar juntinho de quem a gente gosta. o riso é largo para abrigar todas as conversas. e a solidão é menos triste porque nos sentimos mais humanos porque amigo também se sente só. domingo, abril 24, 2005
é difícil escrever quando parece que se está só. mais do que nunca, essa sensação me acompanha. e a triste certeza de que no fim, só resta nós dentro de nós mesmos. tenho que parar de buscar no outro o aconchego para a minha solidão. isso é um pouco cruel mesmo. existe um tempo em que as portas todas estão abertas e somos vida na vida do outro. depois vem o tempo em que as portas se fecham e já não há maneira de me sentir inteira. e por mais que tente entrar pelas janelas, já não há mais tempo. já tem outro pássaro cantando, já tem outra paisagem no horizonte. são os movimentos da vida. um dia entramos, no outro saímos. segunda-feira, abril 04, 2005
a naiana está de férias, e hoje um interino vai assumir o posto...provisoriamente, claro... hoje é só....vou falar com ela amanhã cedo e a noite novos pensamentos irão aflorar e serão aqui expostos para a galera instigante...gostaram? sexta-feira, março 18, 2005
sabe do que realmente precisamos? de um grande amigo em quem possamos confiar nossos segredos, dividir nossos medos, compartilhar de ideais e princípios. alguém que esteja ao nosso lado mesmo quando estivermos do outro lado da cidade ou do mundo. uma pessoa (porque pensar em duas é utopia demais) em quem possamos confiar plenamente e que nunca, jamais, traia a imagem que se fez dela. pensou em alguém? quarta-feira, março 16, 2005
resta em mim uma vontade de me sentir inteira. tenho o costume de me re-ver no outro. só que às vezes o outro não reflete mais o que sou (porque também reflete outros seres, sua vida, seus amores). e saio então a me procurar pela casa, que se perdeu um pouco de mim também, e não me encontro. é quando preciso encarar a mim mesma, sozinha. (no fundo, somos seres sozinhos.) é um bom momento para refletir sobre a vida, para pensar nas coisas que gosto, para redescobrir meus pensamentos. a vida vem mesmo como ondas do a-mar. sexta-feira, março 11, 2005
quarta-feira, março 09, 2005
vamos combinar o seguinte: movo a dama para esquerda e você faz de conta que não vê. você pula com o rei para direita e eu como você. difícil mesmo é encontrar alguém que seja inteiro. ao fim e ao cabo cabe encontrar pedaços de gente por aí. e por mais que vasculhe lado a lado, o corpo inteiro como um mapa, as idéias e pensamentos, sempre resta um canto escuro, uma sala fechada, uma lua minguando. porque uma parte de nós é só nossa. porque do lado de dentro é só baú. porque nem sempre o que somos pode uma dia vir à tona. me parece que para ter liberdade precisa haver um pouco de mistério. senão, perde-se a leveza do anonimato. perde-se a alma de ser somente. pois é, acho que vou me esconder um pouco, fechar algumas portas, encostar as janelas. qual a vantagem de deixar entrar se quem entra descobre logo a saída? vou me virar em labirinto. vou me fazer jogo de xadrez. na era do vídeo-clip tudo é efêmero demais, rápido demais, passageiro demais. tudo passa, tudo corre. é um vento que vira brisa. é uma onda que vira mar. é um céu que nasce azul e logo escurece. mas há em mim uma vontade do sol, da claridade, da lucidez sobre todas as coisas. de falar o que sente, de deixar-me silêncio, de ser naiana sem nome, endereço, papel. sabe? vou ler machado de assis e doroty parker para entender o teatro que é a vida. para olhar os bastidores, para entrar nos camarins, para entender o ser humano. |
e
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