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quinta-feira, julho 31, 2003
 
tenho o dia livre para ser qualquer coisa. mesmo que a vida queira qualquer coisa de mim, serei apenas aquela que acorda para o dia!


 
a manhã acordou gelada aqui no sul. e o amanhecer foi mais longo. minha cama tinha garras e meu coberto amarras. mas não há nada a fazer contra o tempo que escorre pelas pontas de um relógio. e quando a hora já ia lutei contra a noite que me agarrava sem saber. e aqui estou. com o silêncio de um dia que começa. os prédios hoje bem que poderiam agachar-se ao redor de mim. para que o sol pudesse chegar sem fronteiras. pudesse tocar a cidade como a água que cai morna e murmurante. queria tanta coisa. porque penso e se não pensasse talvez não quisesse nada além da minha cama.


 
você saberá o que é o amor? é não estar só. é mudar a vida do mundo só porque em ti habita o amor. é não ter tristeza que não cesse. amora tem amor. no nome. tem amor em amora. o amor mora em amora. ora é amor ora é amora. quero te abraçar em palavras. vou te amar em letras. meu verbo há de tocar os seus olhos. e seremos amantes então. daqueles que brilham na escuridão. áh! amar com o corpo, em pele, em fibra. perder a razão, esquecer os papéis na estante, romper os limites de ser corpo. feche os olhos do mundo. tenha olhos como estrelas. deixe que o amor vibre pelo peito, que escorra pelo sangue, que aqueça o seu ventre. ame. somente. nada mais há que fazer.


segunda-feira, julho 28, 2003
 
Onda

O corpo coberto por ela
Não sabe das outras atrás -
Somente conhece aquela
Que sobre ele se desfaz.

Pedro Amaral

nada como esquecer o passado.
nada como vivenciar a onda que quebra
sobre nós.


 
" Ela não se aventurou perto da minha mesa, mas fiquei satisfeito. Não venha imediatamente, Camilla; deixe-me ficar sentado aqui um pouco a me acostumar a esta rara excitação; deixe-me a sós enquanto minha mente viaja pela infinita beleza de sua glória; deixe-me um tempo comigo mesmo, para ansiar e sonhar de olhos abertos.

Ela veio finalmente, trazendo uma xícara de café na bandeja. O mesmo café, a mesma caneca marrom lascada. Veio com os olhos negros e mais abertos do que nunca, caminhando para mim com pés macios, sorrindo misteriosamente, até que achei que ia desmaiar com a batida do meu coração. Quando parou ao meu lado, senti o ligeiro odor de sua perspiração misturado com a limpeza ácida do seu guarda-pó engomado. Aquilo me desarmava, me deixava estúpido e respirei pelos lábios para evitá-lo."

Arturo Bandino, por John Fante em Pergunte ao pó.


 
estar em são paulo é estar entre amigos. é sentir que o mundo é grande e que nunca estarei só. é ter abraços e carinhos. é não querer voltar. é ter estrada e caminho. estar em são paulo faz com que muitas coisas fiquem pequenas e que tantas outras cresçam de tamanho. é ter olhos sem horizonte. é ter mãos que nada alcançam. é ver como o mundo pode ser imenso. como as coisas podem ser largas. é perder espaço. é me perder sem saber. é ter casa, abrigo, morada. é não ter fim. é não ter céu. é não saber o que é silêncio. estar em são paulo é perder hora. e ganhar distância.


quinta-feira, julho 24, 2003
 
ontem sonhei que dividia a minha cama com os sonhos de outro alguém. que me enlaçava em braços e pernas com nuvens e que sorria dormindo. sonhei ainda que o meu sonho acordava em beijos e abraços com os sonhos dele. corri pela cama porque me tornei pequena e abri todos os livros da estante para voltar a ser grande.


quarta-feira, julho 23, 2003
 
nunca esqueça de ser mais do que ontem. lembre sempre de ir além e de jamais voltar atrás. tenha horizontes e idéias ao vento. tenha uma fernanda na sua vida e um travesseiro de penas. habite o seu quarto com seres de outro mundo. duendes, fadas e gnomos. tenha também muito bichos espalhados pelo seu mundo, para que durante o sono eles possam viver os seus sonhos. no meu quarto tenho sete borboletas, uma mariposa, joaninha, gafanhoto, cachorro, gato, elefante, lagarto e flores. uma cama grande para que caibam todos os seus sonhos (e os de mais alguém) e um cobertor macio. livros por todos os lados para que você possa viajar bastante, sempre que quiser. para que conheça muitas pessoas diferentes, para que possa ser mendigo e princesa, ladrão e presidente. depois, feche os olhos quando a lua estiver cheia e alta. estenda os braços para o céu e seja mais feliz do que já é.


terça-feira, julho 22, 2003
 
não sei ao certo o que foi feito do meu dia. a chuva no tempo e as horas molhadas. a cor desse dia é chumbo. mas a cor do meu dia é sol. teve flor e mar. teve vento e poesia. terá lua e estrela. mesmo que caia do espaço gotas de mais chuva.


segunda-feira, julho 21, 2003
 
vamos fazer amor. vamos fazer amora. não quero ter planos de ser nada hoje. especialmente hoje não tenho metas nem objetivos. quero só viver. como o faria se não tivesse nada para pensar. e não tenho o que pensar porque não quero pensar em nada. vou me diluir em sensações para esquecer que sou. vou me refazer em emoções para lembrar quem sou. abrirei as janelas do meu ser e então a noite terá por onde entrar com suas estrelas e seus cometas distantes. poderei me deixar levar por um reino distante. poderei voltar para a cama num mergulho profundo. porque hoje não tenho planos de ser nada. nem a hora nem o tempo poderão querer ser em mim caminho que tem fim. hoje tenho só horizontes!


sábado, julho 19, 2003
 
mar sobre o céu. cidade na luz. mundo meu canção que compus. mudo tudo agora é você. a minha voz que era da amplidão. o universo da multidão. hoje canta só por você. minha mulher, meu amor, meu lugar. antes de você chegar era tudo saudade. meu canto mudo no ar faz do seu nome hoje o céu da cidade. lua no mar, estrelas no chão. aos seus pés entre as suas mãos. tudo quer alcançar você. levanta o sol do meu coração. já não vivo nem morro em vão. sou mais eu porque sou você. minha mulher, meu amor, meu lugar. antes de você chegar era tudo saudade. meu canto mudo no ar faz do seu nome hoje o céu da cidade. caetano veloso.


 
sempre amar. trazer sempre o mar para dentro e para fora de tudo. deixar com que amantes se amem. olhar o amor com igual amor. morrer por amar demais. sofrer só se for por amar de menos. ter amor de sobra. há mar em tudo. amaré sempre.


sexta-feira, julho 18, 2003
 
o dani borges, meu aluno, soprou isso para mim e achei tão lindo e com tanto bháva que transcrevo aqui para que todos possam ser dani que ama.

Passei aqui só pra dizer...
Dizer que hoje amo muito
E como muito é imensurável,
Eu te amo muito demais.

Passei aqui só pra dizer...
Que teus gestos e movimentos
Me encantam e a todos ao teu redor.
Então calado, digo coisas mais.

Passei aqui só pra dizer...
Que te encontrar, onde quer que seja
É sempre um transbordo de alegria
E só, não estarei jamais.

Passei aqui só pra dizer...
Que o que fazes pelos outros
É de tão grande nobreza e valor
Que pagar-te, talvez não seja capaz

Passei aqui só pra dizer...
Que mesclam-se sentimentos e me confundo.
Se escrevo a mim, ao Mestre ou a Nai, não sei.
Talvez sejam os mesmos, e só na evolução, desiguais.

Só pra dizer...


terça-feira, julho 15, 2003
 
estórias também tem continuação. como filme que acaba para iniciar uma segunda parte. é isso. a segunda parte do meu filme. amora parte II. tum tum tum. pá. hihihihihihih.


 
só pra dizer voltou. apareceu por aí. pra fazer companhia pra mim. sopra dizer: sopra e diz.


 
Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim...

Caetano Veloso


 
hoje o dia acordou manso. fui ouvindo os sons vagarosamente. meus pensamentos aos poucos se memorizaram. vieram assim ecoar em mim. e eles já não me pareceram tão graves, agudos, retumbantes. tudo pela manhã é manso. não tem a gravidade da noite. vou seguir por essa estrada que me leva para nada. porque de nada sei para aonde ela me leva.


 
a noite caiu sobre mim como uma pedra. abaixo dela só um corpo amassado, inerte, disforme. uma parte do meu mundo acabou. como estória que tem fim. uma estória bonita, é verdade. o que me deixa feliz é saber que estórias acabam no papel mas continuam a existir dentro da gente.


segunda-feira, julho 14, 2003
 
História de uma gata
Enriquez - Bardotti - Chico Buarque/1977
Para o musical infantil Os saltimbancos

Me alimentaram
Me acariciaram
Me aliciaram
Me acostumaram

O meu mundo era o apartamento
Detefon, almofada e trato
Todo dia filé-mignon
Ou mesmo um bom filé...de gato
Me diziam, todo momento
Fique em casa, não tome vento
Mas é duro ficar na sua
Quando à luz da lua
Tantos gatos pela rua
Toda a noite vão cantando assim


Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás


De manhã eu voltei pra casa
Fui barrada na portaria
Sem filé e sem almofada
Por causa da cantoria
Mas agora o meu dia-a-dia
É no meio da gataria
Pela rua virando lata
Eu sou mais eu, mais gata
Numa louca serenata
Que de noite sai cantando assim


Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás





 
quando eu era pequena, o céu era mais importante. e as conversas dos adultos não me interessavam. hoje olho pouco para o céu e falo das mesmas coisas que meus pais falavam. sempre levamos conosco pedaços de gente grande. e sempre descobrimos uns recantos de criança.


 
o dia fez frio dentro de mim. fiquei ouvindo o som dos ventos. senti até que o sul do mundo pode às vezes me habitar. caminhei pelas ruas quando o sol já não estava mais (e ele não está em mim faz tempo). olhando as luzes do início da noite sem identificar nenhuma. olhando as pessoas pelas ruas sem ver o rosto de ninguém. dando passos estreitos e lentos que é para o dia passar logo por mim. tive vontades de nem ser. me recolho entre as paredes do meu ser, entre as portas da minha casa. que é para ver se o calor chega. vou fechar todas as cortinas, vou apagar as mensagens, vou trancar as portas. e só.


quinta-feira, julho 10, 2003
 
Mandei plantar / folhas de sonho no jardim do solar / as folhas sabem procurar pelo sol / e as raízes procurar, procurar...

Caetano Veloso


 
Não se pode escrever sobre as verdades últimas, não se pode dizer exaustivamente como é a realidade; só se pode assinalar, para que os demais possam chegar a ela por si mesmos. A missão do mestre é contagiar seus discípulos com esse afã de realidade, para que eles se lancem, mediante penoso exercício à conquista da realidade mesma." Platão, carta VII, 341.


 
Luciano diz:
Então escrevo aqui:
"Não sei se sou uma flor rara, mas planto minha semente nesse jardim.
Nesse lugar me sinto muito feliz.
Ser iluminado por esse sol, me traz alegria, felicidade e mais vontade de viver."

luciano lima, diretamente do meu jardim!


 
quero não ser nada mais do que eu mesma.


terça-feira, julho 08, 2003
 
a cor marrom é sabor
azul é letra
vermelho caneta
branco é tudo
preto ausência
verde comida
rosa céu
amarelo vida
laranja fernanda


 
guardar, guardar, guardar...
guardar uma coisa não é escondê-la, no cofre não se guarda nada.
no cofre perde-se a coisa de vista.
guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser iluminada por ela, estar por ela ou ser por ela. antônio cícero.


 
amora saiu para colher flores. com os olhos fitos ao longe todas elas lhe pareceram belas. enquanto a distância se estreitava, a multidão de cores e formas diminuíam. e todas elas que antes lhe pareciam belas não tinham perfume. faltava-lhes a alma. e assim passou a vida toda. sempre buscando as flores raras. e que sorte dessa menina. criou um jardim das espécies mais belas. o jardim é pequeno mas o seu amor por elas é imenso. às vezes amora exagera e dá muito sol quando deveria dar nuvens. mas o mais importante é o amor que ela sente. que mesmo sob um sol escaldante ou sob um dia chuvoso haverá o seu amor para dosar a vida.


segunda-feira, julho 07, 2003
 
Paisagens, quero-as comigo.
Paisagens, quadros que são...
Ondular louro do trigo,
Faróis de sóis que sigo,
Céu mau, juncos, solidão...

Uma pela mão de Deus,
Outras pelas mãos das fadas,
Outras por acasos meus,
Outras por lembranças dadas...

Paisagens... Recordações,
Porque até o que se vê
Com primeiras impressões
Algures foi o que é,
No ciclo das sensações,

Paisagens... Enfim, o teor
Da que está aqui é a rua
Onde ao sol bom do torpor
Que na alma se me insinua
Não vejo nada melhor.

Fernando Pessoa


domingo, julho 06, 2003
 
tenho tanto a dizer e tenho tanto o que calar. poderia falar sobre o amor. poderia dizer o quanto amo. poderia chorar entre as palavras até molhar os seus olhos. mas não. vou falar de paisagens. que quando o tempo está para chover os olhos escurecem e os cabelos encrespam. quando tem sol meu peito se abre e quero deitar em qualquer canto para colher os raios para afogar meus pensamentos. a chuva caindo fora de mim faz de mim um poço. e que quando faz frio gosto de sentir calor e quando faz calor gosto mesmo é de sentir frio.


quinta-feira, julho 03, 2003
 
para dizer qualquer coisa. para dizer que todas as coisas são belas.


quarta-feira, julho 02, 2003
 
retorno aos poucos para as palavras. mesmo que elas continuem a fugir de mim. pergunte ao poh? pergunte a arturo bandini o que é escrever. abra sua vida. deixe-se ver. e é soh.



e aqui fotos