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quinta-feira, outubro 30, 2003
 
" você me pergunta por que eu me recuso a comer carne. eu, de minha parte, fico assombrada de você ser capaz de colocar na boca o corpo de um animal morto, assombrada de você não achar horrendo mascar a carne mutilida e engolir os sucos de feridas mortais." Plutarco.


quarta-feira, outubro 29, 2003
 
fez o tempo que não aportasse por aqui. é obra dele estar escrevendo hoje. estou na minha terra que me fez gente pela primeira vez. olhando a biblioteca ampla do meu pai e espiando a vida com os olhos da minha mãe. o pai emprestou-me um livro que reforça a minha convicção de escolher os bichos somente como amigos e amigos a gente não come! o livro chama-se A vida dos Animais e o autor é J.M. Coetzee. a editora é a companhia das letras. boa leitura!


terça-feira, outubro 07, 2003
 
quero deixar aqui palavras para alegrar o san. ele nasceu há poucos dias de alguns anos atrás. ele tem beleza, porque é belo. ele tem força, porque é forte, ele tem luz, porque é sol! e vai deixando um pouquinho de si por onde passa. seus raios alcançam vôo até pousar em noronha, sua próxima viagem. lá tem tanto sol que san voltará mais brilhante. e ele tem muitas pessoas que o amam. e por isso é feliz! amor, san, a gente tem de sobra, fora da lógica, dentro da gente. com amora para sempre em você.


sábado, outubro 04, 2003
 
há lógica bastante em acreditar no amor!


quarta-feira, outubro 01, 2003
 
quero deixar no mundo só pensamentos de cor e luz. só ver o sol quando há sol e só gostar da chuva quando chove.


domingo, setembro 28, 2003
 
hoje é o aniversário da menina que nasceu no dia em que a Terra foi mais feliz. ela tem vento nos cabelos e talvez você a conheça. senão, tristeza. não conhecer cabelos aos vento é não ter pássaros com quem brincar. deve ser triste isso. ela é a mão que brinco na areia. ela é a fôrma em forma de estrela. ela é a água salina no céu azul. ela tem verde e anil, violeta e amarelo. a minha vida tem mais brisa porque ela existe. a minha existência tem mais cor porque nela habito. os olhos dela são grandes e escuros. e tem cabelos negros e longos. ela tem o poder de uma chama. a beleza de uma águia. o amor de ser grande. a profundidade de um oceano e a mágica presença da lua. nanda nua anda ananda. feliz aniversário! (sou mais feliz porque você me existe).


sábado, setembro 27, 2003
 
tenho pássaros nos cabelos.


segunda-feira, setembro 22, 2003
 
vem molhar meu colo vou te consolar. joana francesa. quem me enfeitiçou. chico buarque. geme de preguiça e de calor. já é madrugada. acorda, acorda, acorda.


 
a vida é real. e nela cabem todos os sonhos que quisermos. porque a vida é um sonho. e nela cabem todas as realidades que imaginarmos. eu imagino que a vida seja como um livro. cheio de palavras, páginas e contracapa. com personagens, idéias e momentos. sou leitora da minha própria existência. e cada vez que abro o livro da minha vida, leio coisas diferentes das que antes eu tinha lido. e se alguém descobre o meu livro, acaba lendo outras coisas além daquelas que estão escritas. porque numa mesma vida existem diversas realidades. nada mais. estou com sono, mesmo ouvindo joana francesa.


quinta-feira, setembro 18, 2003
 
preciso dizer qualquer coisa. que é para continuar a existir por aqui. mas posso ainda estar calada. para firmar minha existência no silêncio. posso qualquer coisa. porque o dia é como se fosse uma vida inteira.


quinta-feira, setembro 04, 2003
 
Fadas

Devo de ir, fadas
Inseto voa em cego sem direção
Eu bem te vi, nada
Ou fada borboleta, ou fada canção

As ilusões fartas
A fada com varinha virei condão
Rabo de pipa, olho de vidro
Pra suportar uma costela de Adão

Um toque de sonhar sozinho
Te leva a qualquer direção
De flauta, remo ou moinho
De passo a passo passo

Luis Melodia


 
sonhar sozinho nos leva a qualquer direção. luis (que tem) melodia (até no nome).


segunda-feira, setembro 01, 2003
 
a nanda, menina que anda e anda repleta de ananda, me falou de um filme que tinha visto. (quando compartilhamos experiências permitimos que o outro viva o que já vivemos, dividimos e acrescentamos vivência no universo e já não preciso assistir ao filme porque já o tenho, através dela, dentro de mim) bom, o filme dizia que a morte é uma promessa. algo que não existe ainda. como o futuro que parece estar logo ali, mas não existe deveras. o que seremos amanhã? estaremos juntos? seremos amigos, amantes? nada importa porque nada existe além desse instante. e seríamos mais felizes se tocássemos o mundo com a delicadeza do presente, que pinta nossa vida e a recria a todo momento. nada somos do que já ia. tudo é. o que será não é a felicidade, é incerteza. porque a dúvida se podemos viver a alegria de sermos o que somos agora? e cuidado com os pontos finais. morte prematura dói mais.


segunda-feira, agosto 25, 2003
 
tenho amor no nome. e na fala. " se falo de amor não é porque saiba o que é, mas porque sinto" (mais ou menos fernando pessoa, porque estou a alguns passos dele, e porque ele dorme na estante do meu quarto e agora só tenho de sua poesia seu ritmo, sua graça). você pode olhar para o céu agora e verá que ele continua no mesmo lugar. o que mudou foram os seus olhos. o céu esteve lá o tempo inteiro. mas antes nele era dia, agora bate lua. ontem pintou nuvens, hoje clara o sol. antes chovia, depois arco-írisou. e você nem me viu em pôr-do-sol. pára o raio. paira o sol. guarda a chuva. gota a gota.


 
amamos
sempre no outro
o que o outro deixa
que nós sejamos

amamos vários
e somos um
para cada um
que amamos


quinta-feira, agosto 21, 2003
 
" o tempo é um mestre-de-cerimônias que sempre acaba por nos pôr no lugar que nos compete, vamos avançando, parando e recuando às ordens dele, o nosso erro é imaginar que podemos trocar-lhe as voltas." saramago

tempo tempo tempo. cada segundo um tempo. cada letra mais tempo. um olhar outro tempo. um piscar tanto tempo. nem pensar perde tempo. tempo tempo tempo. voltar atrás é mais tempo. buscar o tempo perdido é perder mais tempo. inventamos o tempo e a todo instante ele nos reinventa. sem tempo não há história. com tempo há memória. dentro dele cabem dores, alegrias e vitórias. fora dele o mundo gira. mas nada há fora dele...tempo tempo tempo. me liberte de suas mãos. me afaste de tuas rugas. aproxime o destempo de mim. passatempo. passahora. passaboiada. passamora.


 
perdoar é esquecer.


terça-feira, agosto 19, 2003
 
eu tenho um casaco colorido e um sorriso branco. mas tenho também um tênis azul muito mais bonito do que todos os tênis azuis de todos os países. e ainda tenho a melhor amiga do mundo que também tem um tênis azul, o segundo tênis azul mais bonito do mundo. hehehehehe.


quinta-feira, agosto 14, 2003
 
estou em são paulo, na cidade dos grandes amigos e das coisas grandes.


segunda-feira, agosto 11, 2003
 
o que é ter liberdade senão ter a consciência livre?


domingo, agosto 10, 2003
 
também estive triste. com olhos distantes de mim. procurando por um tempo que não existe. será mesmo que a vida passa pela gente? ou será que somos nós que passamos por ela? nem sei. tive vontades, nesse dia, de estar em lugar nenhum. de caminhar na direção do nada. de percorrer caminhos sem fim. desejo de nada desejar. ah, um vazio. mesmo assim olhei o sol e a cidade lá do alto. olhei o céu no meio do dia e ao final da tarde. tive lua cheia e nuvens cor de rosa. uma paisagem fora de mim para acompanhar o que se passa aqui dentro. também tive companhia, mesmo que a solidão desse ares de existir por entre os vários pensamentos. e é só.


sábado, agosto 09, 2003
 
amora tem muitas coisas e tem saramago a contar-lhe coisas da vida, que é para entender melhor o mundo e as pessoas: " até mesmo os ânimos mais fortes têm momentos de irresistível fraqueza, que é quando o corpo não consegue comportar-se com a reserva e a discrição que o espírito levou anos a ensinar-lhe." e para compreender ainda mais: " saberíamos muito mais das complexidades da vida se nos aplicássemos a estudar com afinco as suas contradições em vez de perdermos tanto tempo com as identidades e as coerências, que essas têm obrigação de explicar-se por si mesmas."

não olhemos nos outros somente a fraqueza. além dela sempre existirá um homem forte. não somos o resultado de um momento, somos a confluência de todos os instantes. a vida não é feita de ações coerentes. " de perto ninguém é normal (caetano)". só que talvez passemos uma vida inteira ao lado de uma pessoa e ela não nos mostre seus medos e fraquezas, não se deixe aparecer através da incoerência. e teremos as conhecido deveras? ninguém é coerente o tempo todo, ninguém é forte a vida toda. a não ser que o seja sem que vejamos. portanto, saibamos não julgar, mas compreender. tentemos não criticar, mas absorver. façamos da vida um aprendizado de si mesma. com seus vendavais e dias de sol. a vida é assim.


sexta-feira, agosto 08, 2003
 
passou o dia por mim. e nele a história já feita. com seus segundos em meus ponteiros. ele foi lento. arrastado. vagaroso. o meu pensar nele.


 
o fragmento que segue é de autoria de j. saramago e diz uma verdade doída: "...e agora queria recuperar o tempo perdido, palavras estas insensatas entre as que mais o forem, expressão absurda com o qual supomos enganar a dura realidade de que nenhum tempo perdido é recuperável, como se acreditássemos, ao contrário desta verdade, que o tempo que críamos para sempre perdido teria, afinal, resolvido ficar parado lá atrás, esperando, com a paciência de quem dispõe do tempo todo, que déssemos pela falta dele."

só o presente existe. se perdemos o tempo ou se nos perdemos nele, paciência. o passado que um dia se tornou presente, existiu para marcar no tempo sua história. e fatos a gente não muda. eles estão lá, nos olhando com olhos arregalados como a dizer, ei, eu vivi naquele dia e posso fazer-te relembrar que... mesmo que o esquecimento queira logo manchar o passado com seus véus que não resistem ao vento. vento que move o passado entre rajadas até nos mostrar tudo outra vez. viver é isso.


quinta-feira, agosto 07, 2003
 
continuo a me ver no último post. mesmo que o dia de hoje tenha me trazido suas ventanias, mantenho em mim a vontade única de ser somente.


quinta-feira, julho 31, 2003
 
tenho o dia livre para ser qualquer coisa. mesmo que a vida queira qualquer coisa de mim, serei apenas aquela que acorda para o dia!


 
a manhã acordou gelada aqui no sul. e o amanhecer foi mais longo. minha cama tinha garras e meu coberto amarras. mas não há nada a fazer contra o tempo que escorre pelas pontas de um relógio. e quando a hora já ia lutei contra a noite que me agarrava sem saber. e aqui estou. com o silêncio de um dia que começa. os prédios hoje bem que poderiam agachar-se ao redor de mim. para que o sol pudesse chegar sem fronteiras. pudesse tocar a cidade como a água que cai morna e murmurante. queria tanta coisa. porque penso e se não pensasse talvez não quisesse nada além da minha cama.


 
você saberá o que é o amor? é não estar só. é mudar a vida do mundo só porque em ti habita o amor. é não ter tristeza que não cesse. amora tem amor. no nome. tem amor em amora. o amor mora em amora. ora é amor ora é amora. quero te abraçar em palavras. vou te amar em letras. meu verbo há de tocar os seus olhos. e seremos amantes então. daqueles que brilham na escuridão. áh! amar com o corpo, em pele, em fibra. perder a razão, esquecer os papéis na estante, romper os limites de ser corpo. feche os olhos do mundo. tenha olhos como estrelas. deixe que o amor vibre pelo peito, que escorra pelo sangue, que aqueça o seu ventre. ame. somente. nada mais há que fazer.


segunda-feira, julho 28, 2003
 
Onda

O corpo coberto por ela
Não sabe das outras atrás -
Somente conhece aquela
Que sobre ele se desfaz.

Pedro Amaral

nada como esquecer o passado.
nada como vivenciar a onda que quebra
sobre nós.


 
" Ela não se aventurou perto da minha mesa, mas fiquei satisfeito. Não venha imediatamente, Camilla; deixe-me ficar sentado aqui um pouco a me acostumar a esta rara excitação; deixe-me a sós enquanto minha mente viaja pela infinita beleza de sua glória; deixe-me um tempo comigo mesmo, para ansiar e sonhar de olhos abertos.

Ela veio finalmente, trazendo uma xícara de café na bandeja. O mesmo café, a mesma caneca marrom lascada. Veio com os olhos negros e mais abertos do que nunca, caminhando para mim com pés macios, sorrindo misteriosamente, até que achei que ia desmaiar com a batida do meu coração. Quando parou ao meu lado, senti o ligeiro odor de sua perspiração misturado com a limpeza ácida do seu guarda-pó engomado. Aquilo me desarmava, me deixava estúpido e respirei pelos lábios para evitá-lo."

Arturo Bandino, por John Fante em Pergunte ao pó.


 
estar em são paulo é estar entre amigos. é sentir que o mundo é grande e que nunca estarei só. é ter abraços e carinhos. é não querer voltar. é ter estrada e caminho. estar em são paulo faz com que muitas coisas fiquem pequenas e que tantas outras cresçam de tamanho. é ter olhos sem horizonte. é ter mãos que nada alcançam. é ver como o mundo pode ser imenso. como as coisas podem ser largas. é perder espaço. é me perder sem saber. é ter casa, abrigo, morada. é não ter fim. é não ter céu. é não saber o que é silêncio. estar em são paulo é perder hora. e ganhar distância.


quinta-feira, julho 24, 2003
 
ontem sonhei que dividia a minha cama com os sonhos de outro alguém. que me enlaçava em braços e pernas com nuvens e que sorria dormindo. sonhei ainda que o meu sonho acordava em beijos e abraços com os sonhos dele. corri pela cama porque me tornei pequena e abri todos os livros da estante para voltar a ser grande.


quarta-feira, julho 23, 2003
 
nunca esqueça de ser mais do que ontem. lembre sempre de ir além e de jamais voltar atrás. tenha horizontes e idéias ao vento. tenha uma fernanda na sua vida e um travesseiro de penas. habite o seu quarto com seres de outro mundo. duendes, fadas e gnomos. tenha também muito bichos espalhados pelo seu mundo, para que durante o sono eles possam viver os seus sonhos. no meu quarto tenho sete borboletas, uma mariposa, joaninha, gafanhoto, cachorro, gato, elefante, lagarto e flores. uma cama grande para que caibam todos os seus sonhos (e os de mais alguém) e um cobertor macio. livros por todos os lados para que você possa viajar bastante, sempre que quiser. para que conheça muitas pessoas diferentes, para que possa ser mendigo e princesa, ladrão e presidente. depois, feche os olhos quando a lua estiver cheia e alta. estenda os braços para o céu e seja mais feliz do que já é.


terça-feira, julho 22, 2003
 
não sei ao certo o que foi feito do meu dia. a chuva no tempo e as horas molhadas. a cor desse dia é chumbo. mas a cor do meu dia é sol. teve flor e mar. teve vento e poesia. terá lua e estrela. mesmo que caia do espaço gotas de mais chuva.


segunda-feira, julho 21, 2003
 
vamos fazer amor. vamos fazer amora. não quero ter planos de ser nada hoje. especialmente hoje não tenho metas nem objetivos. quero só viver. como o faria se não tivesse nada para pensar. e não tenho o que pensar porque não quero pensar em nada. vou me diluir em sensações para esquecer que sou. vou me refazer em emoções para lembrar quem sou. abrirei as janelas do meu ser e então a noite terá por onde entrar com suas estrelas e seus cometas distantes. poderei me deixar levar por um reino distante. poderei voltar para a cama num mergulho profundo. porque hoje não tenho planos de ser nada. nem a hora nem o tempo poderão querer ser em mim caminho que tem fim. hoje tenho só horizontes!


sábado, julho 19, 2003
 
mar sobre o céu. cidade na luz. mundo meu canção que compus. mudo tudo agora é você. a minha voz que era da amplidão. o universo da multidão. hoje canta só por você. minha mulher, meu amor, meu lugar. antes de você chegar era tudo saudade. meu canto mudo no ar faz do seu nome hoje o céu da cidade. lua no mar, estrelas no chão. aos seus pés entre as suas mãos. tudo quer alcançar você. levanta o sol do meu coração. já não vivo nem morro em vão. sou mais eu porque sou você. minha mulher, meu amor, meu lugar. antes de você chegar era tudo saudade. meu canto mudo no ar faz do seu nome hoje o céu da cidade. caetano veloso.


 
sempre amar. trazer sempre o mar para dentro e para fora de tudo. deixar com que amantes se amem. olhar o amor com igual amor. morrer por amar demais. sofrer só se for por amar de menos. ter amor de sobra. há mar em tudo. amaré sempre.


sexta-feira, julho 18, 2003
 
o dani borges, meu aluno, soprou isso para mim e achei tão lindo e com tanto bháva que transcrevo aqui para que todos possam ser dani que ama.

Passei aqui só pra dizer...
Dizer que hoje amo muito
E como muito é imensurável,
Eu te amo muito demais.

Passei aqui só pra dizer...
Que teus gestos e movimentos
Me encantam e a todos ao teu redor.
Então calado, digo coisas mais.

Passei aqui só pra dizer...
Que te encontrar, onde quer que seja
É sempre um transbordo de alegria
E só, não estarei jamais.

Passei aqui só pra dizer...
Que o que fazes pelos outros
É de tão grande nobreza e valor
Que pagar-te, talvez não seja capaz

Passei aqui só pra dizer...
Que mesclam-se sentimentos e me confundo.
Se escrevo a mim, ao Mestre ou a Nai, não sei.
Talvez sejam os mesmos, e só na evolução, desiguais.

Só pra dizer...


terça-feira, julho 15, 2003
 
estórias também tem continuação. como filme que acaba para iniciar uma segunda parte. é isso. a segunda parte do meu filme. amora parte II. tum tum tum. pá. hihihihihihih.


 
só pra dizer voltou. apareceu por aí. pra fazer companhia pra mim. sopra dizer: sopra e diz.


 
Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim...

Caetano Veloso


 
hoje o dia acordou manso. fui ouvindo os sons vagarosamente. meus pensamentos aos poucos se memorizaram. vieram assim ecoar em mim. e eles já não me pareceram tão graves, agudos, retumbantes. tudo pela manhã é manso. não tem a gravidade da noite. vou seguir por essa estrada que me leva para nada. porque de nada sei para aonde ela me leva.


 
a noite caiu sobre mim como uma pedra. abaixo dela só um corpo amassado, inerte, disforme. uma parte do meu mundo acabou. como estória que tem fim. uma estória bonita, é verdade. o que me deixa feliz é saber que estórias acabam no papel mas continuam a existir dentro da gente.


segunda-feira, julho 14, 2003
 
História de uma gata
Enriquez - Bardotti - Chico Buarque/1977
Para o musical infantil Os saltimbancos

Me alimentaram
Me acariciaram
Me aliciaram
Me acostumaram

O meu mundo era o apartamento
Detefon, almofada e trato
Todo dia filé-mignon
Ou mesmo um bom filé...de gato
Me diziam, todo momento
Fique em casa, não tome vento
Mas é duro ficar na sua
Quando à luz da lua
Tantos gatos pela rua
Toda a noite vão cantando assim


Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás


De manhã eu voltei pra casa
Fui barrada na portaria
Sem filé e sem almofada
Por causa da cantoria
Mas agora o meu dia-a-dia
É no meio da gataria
Pela rua virando lata
Eu sou mais eu, mais gata
Numa louca serenata
Que de noite sai cantando assim


Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás





 
quando eu era pequena, o céu era mais importante. e as conversas dos adultos não me interessavam. hoje olho pouco para o céu e falo das mesmas coisas que meus pais falavam. sempre levamos conosco pedaços de gente grande. e sempre descobrimos uns recantos de criança.


 
o dia fez frio dentro de mim. fiquei ouvindo o som dos ventos. senti até que o sul do mundo pode às vezes me habitar. caminhei pelas ruas quando o sol já não estava mais (e ele não está em mim faz tempo). olhando as luzes do início da noite sem identificar nenhuma. olhando as pessoas pelas ruas sem ver o rosto de ninguém. dando passos estreitos e lentos que é para o dia passar logo por mim. tive vontades de nem ser. me recolho entre as paredes do meu ser, entre as portas da minha casa. que é para ver se o calor chega. vou fechar todas as cortinas, vou apagar as mensagens, vou trancar as portas. e só.


quinta-feira, julho 10, 2003
 
Mandei plantar / folhas de sonho no jardim do solar / as folhas sabem procurar pelo sol / e as raízes procurar, procurar...

Caetano Veloso


 
Não se pode escrever sobre as verdades últimas, não se pode dizer exaustivamente como é a realidade; só se pode assinalar, para que os demais possam chegar a ela por si mesmos. A missão do mestre é contagiar seus discípulos com esse afã de realidade, para que eles se lancem, mediante penoso exercício à conquista da realidade mesma." Platão, carta VII, 341.


 
Luciano diz:
Então escrevo aqui:
"Não sei se sou uma flor rara, mas planto minha semente nesse jardim.
Nesse lugar me sinto muito feliz.
Ser iluminado por esse sol, me traz alegria, felicidade e mais vontade de viver."

luciano lima, diretamente do meu jardim!


 
quero não ser nada mais do que eu mesma.


terça-feira, julho 08, 2003
 
a cor marrom é sabor
azul é letra
vermelho caneta
branco é tudo
preto ausência
verde comida
rosa céu
amarelo vida
laranja fernanda


 
guardar, guardar, guardar...
guardar uma coisa não é escondê-la, no cofre não se guarda nada.
no cofre perde-se a coisa de vista.
guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser iluminada por ela, estar por ela ou ser por ela. antônio cícero.


 
amora saiu para colher flores. com os olhos fitos ao longe todas elas lhe pareceram belas. enquanto a distância se estreitava, a multidão de cores e formas diminuíam. e todas elas que antes lhe pareciam belas não tinham perfume. faltava-lhes a alma. e assim passou a vida toda. sempre buscando as flores raras. e que sorte dessa menina. criou um jardim das espécies mais belas. o jardim é pequeno mas o seu amor por elas é imenso. às vezes amora exagera e dá muito sol quando deveria dar nuvens. mas o mais importante é o amor que ela sente. que mesmo sob um sol escaldante ou sob um dia chuvoso haverá o seu amor para dosar a vida.


segunda-feira, julho 07, 2003
 
Paisagens, quero-as comigo.
Paisagens, quadros que são...
Ondular louro do trigo,
Faróis de sóis que sigo,
Céu mau, juncos, solidão...

Uma pela mão de Deus,
Outras pelas mãos das fadas,
Outras por acasos meus,
Outras por lembranças dadas...

Paisagens... Recordações,
Porque até o que se vê
Com primeiras impressões
Algures foi o que é,
No ciclo das sensações,

Paisagens... Enfim, o teor
Da que está aqui é a rua
Onde ao sol bom do torpor
Que na alma se me insinua
Não vejo nada melhor.

Fernando Pessoa


domingo, julho 06, 2003
 
tenho tanto a dizer e tenho tanto o que calar. poderia falar sobre o amor. poderia dizer o quanto amo. poderia chorar entre as palavras até molhar os seus olhos. mas não. vou falar de paisagens. que quando o tempo está para chover os olhos escurecem e os cabelos encrespam. quando tem sol meu peito se abre e quero deitar em qualquer canto para colher os raios para afogar meus pensamentos. a chuva caindo fora de mim faz de mim um poço. e que quando faz frio gosto de sentir calor e quando faz calor gosto mesmo é de sentir frio.


quinta-feira, julho 03, 2003
 
para dizer qualquer coisa. para dizer que todas as coisas são belas.


quarta-feira, julho 02, 2003
 
retorno aos poucos para as palavras. mesmo que elas continuem a fugir de mim. pergunte ao poh? pergunte a arturo bandini o que é escrever. abra sua vida. deixe-se ver. e é soh.


terça-feira, junho 24, 2003
 
estou ausente de palavras. mas continuo a existir mesmo sem elas em mim.


sexta-feira, junho 20, 2003
 
espero o fim do nosso amor como quem espera a morte. próxima e distante. certa e ausente. precisa e inesperada.


quarta-feira, junho 18, 2003
 
pensei ter visto, entre os olhos da noite, você arrancar um pedaço de si. sonhei também que te tinha ao meu lado durante o sono e a vigília. te ouvi descer os degraus da escadaria, romper a porta, sumir com os ruídos da cidade. quedei macia nos travesseiros da noite, acomodando o meu corpo no cheiro do quarto. no meio do sonho, acordei tristonha, a procurar teu pedaço que pensei ter ouvido cair ao meu lado. era tarde da noite, era a madrugada em silêncio e eu te lendo, sorrindo em memória, colhendo graciosa uma parte de ti.


terça-feira, junho 17, 2003
 
disponho estas letras no papel como se nelas abrisse o meu próprio corpo, portas e janelas, sótão e jardim. preencho o papel com as letras que sou agora como as roupas do dia. a paisagem de dentro que se abre para fora.


 
temos num beijo a sensação do todo como se nele habitasse o corpo inteiro
como se nele a consciência se recolhesse para sentir
o beijo
as portas abertas e fechadas
a paisagem que entra e sai
no abrir dos olhos
no fechar das bocas
o beijo
que tudo toca a um só toque
que tudo colhe
que tudo sente.


 
há tanto o que combinar
a música, a leitura e o dia
a palavra ouvida, sussurrada e sentida
o medo da vida e o desejo em todo o momento de existir inteiro

há o desejo do desejo
as viagens, os caminhos e o retorno
a roupa, o cheiro e a noite
a palavra falada, dita, proferida
o medo da morte e o desejo em todo o momento de existir inteiro

há o beijo que gira em braços
há pernas que tolas amarram-se umas nas outras

há tanto o que combinar
ele a ela e ela a ele
a sede, a fome e o descanso.


 
quem gosta de poesia que, como pipoca pula na frente da tela, deve ir até
www.cabelosaovento.blogger.com.br
quem gosta de saudade, amor e pureza deve ir até
www.1meninoso.blogger.com.br
quem gosta de amor que dói, de saudade sentida e de
felicidade conquistada deve ir até
www.bonecasfalantes.blogger.com.br
quem gosta de variedades, declarações, fotos e verdades deve ir até
www.oct.com.br/blog
quem gosta de momentos, de viagens e de amigos deve ir até
www.viaeterea.blogger.com.br
quem gosta da gente deve ir até
www.riobranco.blogger.com.br


 
a júlia quer saber quando irei escrever novamente no amora. é que às vezes as letras até existem, mas teimam em se unir umas nas outras. mas eu tento, eu me esforço. poderia falar do dia em porto alegre. (sempre quando não temos o que dizer acabamos falando do tempo). faz muito frio aqui e me espanta saber que em noronha faz verão o ano inteiro. morar no sul do país é saber tomar sopa de madrugada só para esquentar os pés. é se unir em harmonia com as pernas de alguém. estar onde estamos nos faz ser mais frios e mais quentes. tudo ao mesmo tempo. uma vontade de ficar grudado no primeiro que aparece. de usar toca e manta amarrada ao pescoço. meias longas e grossas e muitos cobertores à noite. morar no sul do mundo faz nos sentir na beira de um rio. no topo de um monte. no fim de um caminho. por aqui ninguém passa. por aqui todos vêm para ficar. porque somos estrada para poucos lugares. porque estamos muito próximos do fim. quando alguém aparece por aqui vindo de outro lugar é porque queria. não há viagens por acaso para o sul do mundo. lugares de passagens até que podem ser bons. mas sempre existirão pessoas errantes, perdidas. como marinheiros, piratas e ciganos. aqui não! há mais terra nas pessoas, mais afinco, mais raízes. tudo porque moramos no sul do mundo.


domingo, junho 15, 2003
 
para ser feliz bastará pouca coisa. uma paisagem com horizonte já é bastante. a chuva depois do sol e o sol depois da chuva. para ser feliz um segundo importante. um beijo inesperado e um sorriso ao longe. uma noite de sonho e um amanhecer risonho. para ser feliz será preciso muito pouco. uma palavra de amor, uma carta que chega distante, uma saudade, um cheiro.


sábado, junho 14, 2003
 
a beleza está naquilo que somos.


sexta-feira, junho 13, 2003
 
ninguém sabe do seu paradeiro, ninguém sabe pra aonde ele foi, pra aonde ele vai...


 
VENTANA SOBRE EL CUERPO

La Iglesia dice: El cuerpo es una culpa
La ciencia dice: El cuerpo es una máquina
La publicidad dice: El cuerpo es un negocio
El cuerpo dice: Yo soy una FIESTA

De " Las palabras andantes" de Eduardo Galeano, (escritor uruguayo que me gusta mucho)
natalia aramburu falando...
linda.
maravilhosa.


terça-feira, junho 10, 2003
 
quero viver num eterno poema. sem rima, sem forma definida. uma coisa qualquer no papel. às vezes com vírgula, não raro um ponto. quero me olhar entre as palavras e só ver letras caídas, largadas, dispostas uma ao lado da outra. para parecer que não penso nisso. que as palavras saem correndo de mim. nada de linhas retas, de regras, de normas. só o respirar momentâneo das frases proferidas. só o sentir quase disforme dos meus pensamentos.


 
desenrolemos nossos corpos como dois grandes rocamboles doces e úmidos.


 
não quero entender de eclipse, relâmpago, trovão. não me interessam as últimas teorias sobre a formação do universo. prefiro não saber da noite mais do que a escuridão que cai fechando as casas ao apagar do sol, ao brilhar das luzes. não pretendo saber mais das formigas, dos tigres, das aves migratórias do que suas breves existências. saberão eles de mim? e se estudassem o que sou, se lessem livros sobre a humanidade? compreenderiam o que é o amor? poderiam sentir a nossa felicidade? saberiam o gosto que tem um acordar longo, um beijo morno, um palpitar diferente? então, me diga, pra quê? por que tanta informação vazia, reta, retilínea? para conhecer o universo na sua essência bastará parar o pensamento. há que buscar transformar-se nas coisas da natureza. aí sim poderei dizer tudo o que sei, porque terei sido. não uma informação sem aura, mas uma sensação profunda do que é ser. de verdade.


segunda-feira, junho 09, 2003
 
não venha me dizer como se formam as estrelas. nem quero saber porque a lua brilha tanto. quando a chuva cai imagino uma nuvem gorda, cinza, deixando escapar a água por entre as frestas das janelas. não procuro saber o nome das flores nem a rota dos pássaros.


sexta-feira, junho 06, 2003
 
vou dormir com o cheiro da noite. que me invade mesmo sem eu querer. estou repleta de tanto ser.


 
Viver na plenitude é surfar os limites, até os da própria morte" ( Timothy Leary)
Posted By: kid foguete 5/30/2003 6:56:04 AM

kid foguete é um amigo que tenho. que me ensinou a ter gosto pela leitura.


 
...e a espera telefônica canta uma canção de amor.


quinta-feira, junho 05, 2003
 
Janelas Abertas
Caetano Veloso

Sim, eu poderia abrir as portas que dão pra dentro
Percorrer correndo, corredores em silêncio
Perder as paredes aparentes do edifício
Penetrar no labirinto
O labirinto de labirintos dentro do apartamento

Sim, eu poderia procurar por dentro a casa
Cruzar uma por uma as sete portas, as sete moradas
Na sala receber o beijo frio em minha boca
Beijo de uma deusa morta
Deus morto, fêmea língua gelada, língua gelada como nada

Sim, eu poderia em cada quarto rever a mob’lia
Em cada um matar um membro da fam’lia
Até que a plenitude e a morte coincidissem um dia
O que aconteceria de qualquer jeito

Mas eu prefiro abrir as janelas
Pra que entrem todos os insetos





quarta-feira, junho 04, 2003
 
palavras de amor em amora...hoje é meu aniversário!

Parabéns Nai, que este dia seja muito lindo, colorido e cheio de sorisos...
Beijos do outro lado do mundo, de quem tem muita saudade, e te admira um montão


Posted By: Le 6/4/2003 11:51:19 AM

a sua casa é um castelo, cheio de príncipes e princesas. vc, rainha naiánanda. ele é cheiroso e colorido. na unidade rio branco todos te amam e admiram. portanto, esteja sempre aqui! beijocas e feliz aniver.


Posted By: pequena 6/4/2003 9:22:52 AM

Feliz aniversário Nai.
Seja feliz.
Viva a mulher que você é.
Viva naiana.
Viva!
Comigo.
Viva.


Posted By: San 6/4/2003 4:40:38 AM


segunda-feira, junho 02, 2003
 
não tenho lugar pela casa. as roupas já não se parecem comigo. não há aonde sentar. a cama está vazia. o sofá não tem mãos. a geladeira é fria. nem os livros estão lá. fecharam-se para mim. e só encontro sossego na tela vazia. nas palavras que saem de mim. mas quero paz.


domingo, junho 01, 2003
 
o amor bateu asas e voou.


 
nunca se ausentes de mim. para que eu viva em paz.


sábado, maio 31, 2003
 
brincar com as palavras do coração

é como mexer em um ninho de formigas

basta tocar e tudo muda, tudo se move

a paixão sai por cada canto, por cada fresta

não há arestas na mundo do amor

não há nexo, nem sentido nas palavras do que é sentido

apenas som...

desejo e tesão

sexo, sem nexo, sem pensamento

apenas sentimento e sensação...

de um autor anônimo. que é meu amigo.

mora dentro de mim.

e que às vezes surta em palavras.

e vem reviver em amora.


 
troque de língua com a minha. vamos desalinhar nossas bocas. não mais dois lábios sérios. nem mais um sorriso. uma coisa qualquer que não se entenda. teu cheiro, suor e saliva. talvez te olhe. quem sabe escureça. teremos mãos? estaremos sóbrios? desejo uma estrada perdida em teus pensamentos. na qual possamos ser andarilhos a vasculhar o tempo.


sexta-feira, maio 30, 2003
 
estou encerrada em mim mesma. e quero ultrapassar a minha pele, os meus poros, os meus limites físicos. então corro de mim, por entre as idéias e pensamentos. me acabo em outro ser, a vivenciar outro corpo, a respirar outro alento. depois volto, caio em mim. mas trago-te junto. entre células que já não são só minhas. vasculho o meu corpo e te encontro sempre. na escuridão de ser dentro. na vastidão de ser fora. vamos partilhar meus pensamentos. venha dormir as minhas idéias. vá e volte. e fique.


quinta-feira, maio 22, 2003
 
há uma vontade de ser só. e somente. como quem nasce para uma nova vida onde todos os rostos são estranhos. olhar o mundo com os olhos de uma criança desavisada. não saber os porquês nem desejar desvendá-los. não ser. só existir. não ter o que representar. nem o que pensar. ser como uma flor, amanhecer em árvores, entardecer na primavera. só sentir vento, só chorar de chuva, só cair de velha.


 
um menino só é mais do que uma companhia. é uma solidão que me acompanha.


domingo, maio 18, 2003
 
descubro que errar é desumano. porque fere. mas é humano. porque todos somos passíveis de erro.


sábado, maio 17, 2003
 
Ai Se Sesse
(Zé da Luz)

Se um dia nós se gosta-se
Se um dia nós se quere-se
Se nós dois se emparea-se
Se jutim nós dois vive-se
Se jutim nós dois mora-se
Se jutim nós dois drumi-se
Se jutim nós dois morre-se
Se pro céu nós assubi-se
Mas porém se acontece-se de São Pedro não abri-se
A porta do céu e fosse te dizer qualquer tolice
E se eu me arrimina-se
E tu com eu insinti-se
Prá que eu me arresouve-se
E a minha faca puxa-se
E o bucho do céu fura-se
Távez que nós dois fica-se
Távez que nós dois cai-se
E o céu furado arria-se
E as virgem todas fugir-se


 
de amora e de sonhos.


 
de amor e de sombras.


 
estou cansada. de sentir as mesmas coisas. de ter que entender. estou farta de compreensão. a compaixão também enche o saco. será que não podemos inverter tudo isso?


quarta-feira, maio 14, 2003
 
só mente só.


 
tento me enquadrar nesse quadro mas não me acho. nem sei até aonde vai essa moldura.


terça-feira, maio 13, 2003
 
As vacas voam sempre devagar
Porque elas gostam da paisagem.
Porque, para elas, o encanto único de uma viagem
É olhar, olhar...

Mário Quintana


domingo, maio 11, 2003
 
vamos fazer amor. que é para matar a fome. deixa eu fazer assim, dobrar os laços do fim. dispôr os livros na janela. permitir que as letras derramem a água dos teus pensamentos tolos. corremos na direção dos que já não vão. olhe as escadas como se olhasse uma passagem. lembre-se da infância de quem já não é. descaia. desmanche o nó. palavra vão de amor. descabe cão. dizer que cala, falar que sente, chorar de raiva, engolir-se inteiro. puxar os pés. morangolando. entre as pernas sem pêlos. mãos vazias. deixar o corpo formar paisagem. quatro, lado, vire, aberta. estender cabelos. encolher idéias. abrir pernas. abraçar as costas. esconder-se dela. desvestir. desbeleze. desça. acenda. e abra todas as janelas.


 
Quem somos?

Todas as nossas carteiras de identidade são falsas. E a primeira curiosidade de quem morreu é saber qual é mesmo o seu verdadeiro nome.

Mário Quintana


 
saudade mata a gente e a gente mata a saudade.

naiana


 
Coisas do Tempo
Com o tempo, não vamos ficando sozinhos apenas pelos que se foram: vamos ficando sozinhos uns dos outros.

Mário Quintana


 
Jardim

Nutrir um sentimento
Como quem a uma planta,
Ou algo assim:
Dar-lhe de beber,
Cuidar, podá-lo
E remediá-lo de seu fim.

Pedro Amaral


 
"O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera o meu nome."

João Cabral de Melo Neto


 
"um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como, e dói não sei por quê."

Luís de Camões


 
Deve-se aprender a viver por toda a vida e, por mais que tu talvez te espantes, a vida toda é um aprender a morrer.

Sobre a brevidade da vida. Sêneca


 
A Oferenda

Eu queria trazer-te uns versos lindos...
Trago-te estas mãos vazias
Que vão tomando a forma do teu seio.

mário quintana


 
Pensar é estar doente dos olhos.

Fernando Pessoa


 
companhia é uma paisagem vista de dentro.

naiana


quinta-feira, maio 08, 2003
 
perpetuar. o nada. esquecer. de tudo. acolher flores. para o café da manhã. comermorar na mesa. e nas casas. maçãs. em caixos. borboletrar. de um lado ao outro. de mim. perder a hora. que já ia. no templo do dia. acordar sononhando. deixar de ser. amorrer.


quinta-feira, maio 01, 2003
 
vamos passear pelo amor-a. ficar no a, embalar-se em m, morrer em o, rir no r e amar em a. só. o resto é chuva. é frio. é nada.


domingo, abril 27, 2003
 
a mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer. até parece frase de criança, mas é do querido mário quintana. não convivo bem com a mentira. não gosto. não aceito. a verdade, por pior que ela seja, é mais fácil de aceitar. com um pouquinho de tempo, as verdades já não incomodam mais. mas a mentira...essa não. ela já nasce uma mentira. é difícil aceitar. é incômodo e cruel. a mentira nos dá dois trabalhos: aceitar o por quê da mentira e ainda entender a verdade que nela se esconde.


quarta-feira, abril 23, 2003
 
chega de tristeza. depois de um choro longo nada melhor do que rir encolhida na cama. abraçada em um travesseiro gordo, cheio de penas. olhando para os livros que mudos parecem falar o tempo inteiro. há que ter livros dentro de mim. clarices, pessoas e fonsecas. quero descobrir o que há por trás e além de mim. quem me habita, enfim? se você sabe quem eu sou fale bem alto para que eu possa me ouvir. até que o eco preencha o som da minha vida...


segunda-feira, abril 21, 2003
 
carandiru. um submundo que nós aprovamos. assim, embaixo dos nossos olhos, milhões de pessoas vivendo em condições precárias. eu, você e o seu melhor amigo pacifista, apoiamos que, depois de metralharmos os pobres com o consumismo desenfreado, eles trabalhem horas a fio para receberem um salário mínimo que não dá conta nem da cesta básica e, quando eles assaltam aqueles que podem comprar, matam sem piedade o primeiro adolescente alfabetizado com o tênis mais caro, nós os jogamos em uma jaula suja, com dezenas de outros presos, sofrendo humilhações e, às vezes, ainda os matamos, só pra variar um pouquinho. e isso não é guerra? não parece que enlouquecemos as pessoas para depois as isolarmos do mundo "normal" e assim, quando conseguem sobreviver a tudo, retornam ao nosso mundo, mais desajustadas ainda? e isso é vida?


quinta-feira, abril 17, 2003
 
que os meus olhos possam continuar a ver as pessoas e o mundo sem barreiras. que a compaixão possa sempre me ter mesmo que desapareça no resto da humanidade.


quarta-feira, abril 16, 2003
 
aquele lugar há de me habitar sempre. os habitantes da ilha continuam a povoar os meus pensamentos. ontem, ao deitar, ainda pude sentir a vontade de estar lá. como se não fosse natural que estivesse aqui. há muito o que ser em noronha. a natureza inteira parece viver lá. quando passeava pelas praias daqui pensava estar muito próxima da natureza. em noronha você não está próxima da natureza, você é a própria natureza. os bichos convivem ao seu lado por toda ilha. há sempre uma companhia. um ruído, um vôo, uma surpresa. há muita vida em noronha.


terça-feira, abril 15, 2003
 
amora agora tem mais vida, tem mais amor. o tempo em fernando de noronha passou longamente por mim. e parece que meninei. ao mesmo tempo que o tempo me fez mais natureza, mais menina, fez de mim mais ser que sabe viver só. e é bom ser uma menina valente, que mergulha fundo e que sabe voltar.


domingo, março 23, 2003
 
de novo sumi de amor-a. é que com o novo blog da unidade, acabo passando todo o meu tempo por lá. e hoje me deu uma saudade de ter letras em amora. de ser não eu mas só palavras. deixo que meus dedos se movam sem destino, como um passeio de bicicleta sem rumo em que escolhemos as esquinas e as retas de acordo com a vontade daquele exato instante. o sol aparece tão lindo em porto alegre acompanhado de uma brisa gostosa. o sol como um carinho; a brisa, um abraço. como é bom viver e ter amigos para viver junto da gente. amo o domingo, contrariando a todos. é um dia em que estamos livres. em que podemos ser o que quisermos. até mesmo a mesma pessoa dos dias da semana. e dormir e chorar de saudade de coisas que nem bem sabemos o que é. de escutar caetano bem alto que é para os nossos ouvidos serem só letra e melodia. de tomar chimarrão sem roda. dia de dormir muito, de sonhar sonhos longínquos. dia de tomar banho de água longa. de passear com o zeca a passos lentos. esquecer do tempo, do relógio, de atravessar a rua. como isso tudo pode ser ruim? ainda tem o olhar o céu, o sol morrendo, as flores vivas, as folhas caídas. para mim o domingo é uma cama grande, com lençóis macios tocados de raios de sol da manhã que se estende até o final do dia.


terça-feira, fevereiro 25, 2003
 
temperatura em porto alegre 24 graus. já nasceu sol, já choveu e agora o céu se viu cheio de nuvens. manhã popular brasileira. leão, monte, veloso. que bom ouvir a voz do rádio. dezenove para as nove. já quis ser locutora. escritora. poetisa. teve uma época que queria ser somente leitora. ficar lendo, lendo a vida toda. me encher de palavras. mas aí, pensei que pudesse ficar muito branca, gorda e de óculos. com os ombros doloridos, com a testa cheia de rugas. continuo lendo, mas não somente. nada nada deve ser muito. há uma medida exata para tudo. fm cultura.


domingo, fevereiro 23, 2003
 
o bom mesmo é viver sem explicar porque se vive. será por isso que mais e mais pessoas vivem sozinhas? viver, simplesmente.


sexta-feira, fevereiro 21, 2003
 
tive um sonho lindo esta noite. era mar, eram penhascos, era eu voando de um lado ao outro. olhando o céu, as ondas, as pedras. também amando. sonhando...


quinta-feira, fevereiro 20, 2003
 
não vi o sol, só tenho nuvens, só tenho árvores e algumas flores.


quarta-feira, fevereiro 19, 2003
 
Querido Mestre.

Escrevo-lhe para dizer o quanto é grande a sua presença dentro de mim. O quão diferente é a minha vida só por ter lhe conhecido. Nem lembro da Naiana sem você. Desde sempre o seu nome povoou as minhas histórias. Não havia como falar da vida, da natureza, das relações humanas sem que citasse o seu nome.
E aquilo foi crescendo tanto na minha vida que, quando vi, passei a ensinar os outros como fazer para te conhecer. É lindo ver os nossos alunos aprendendo o discipulado, conhecendo a si mesmos através do seu trabalho. Não pode haver no mundo profissão mais nobre do que esta: ensinar o outro a ser somente.
Há amor demais naquilo que você faz. Há vida no que ensina. Há mais verdade em você do que no sol que vejo se pôr.
Obrigada por existir dentro de mim. Agradeço a sua presença nos meus sonhos, em pensamentos, na memória. Que bom dormir e acordar ao seu lado. Obrigada por ter despertado a mulher que sou.
Agradeço ainda os tantos amigos leais que tenho, tantas amizades sinceras cultivadas através do seu trabalho.
Terá mesmo como agradecer alguém por ter vida? Sim, agradeço ao meu Mestre por existir tanta vida circulando dentro de mim.
Amo você.
Com amor e estrelas, feliz aniversário.
naiana



 
visite o blog da nossa unidade de swásthya yôga, com fotos e textos: www.riobranco.blogger.com.br.


quinta-feira, fevereiro 13, 2003
 
era tanta gente, eram tantos os sorrisos, que feliz fiquei. de ser assim, feliz entre gente que ri.


 
seremos de fato seres amputados? (jose saramago)


domingo, fevereiro 09, 2003
 
respondo ao ultimo chamado com demora. ele leva, alem de mim, todo o tempo silencioso. migrou de lah a bela paisagem da lagoa. nos vi morro, areia e mar. aprendemos, todos os dias, a sermos ceu, arvore, vento e luar. ceu, arvore, vento e luar aprendem logo a ser gente. e o universo cresce um pouco de ter florido na terra a gente e o ceu e a arvore e vento e o luar. vento leva cancoes daqui, vai, leva o vvvvvvvvvuuuuuuuuu do vento aqui.


 
pensamento que por um momento vem para lembrar que o dia eh azul como voce e eu na beira do mar. naiana.


 
" desfruta-se o que eh convencional, sem critica-lo; critica-se o que eh novo sem desfruta-lo." walter benjamin


 
voce conhece alguem pelas roupas no varal e pelas cortinas nas janelas...


sexta-feira, fevereiro 07, 2003
 
vidas secas. o sertão nordestino nas palavras de graciliano ramos. baleia, a cachorra que é mais gente do a gente daquele lugar. migram, sofrem, somem aos poucos. presos na caatinga, entre os mandacarus e xique-xiques. entre o sol e a seca. entre a fome e a esperança. a inércia de estarmos presos por uma linha, por um tempo, num espaço.


quarta-feira, fevereiro 05, 2003
 
Não o intenso momento isolado,
mas toda uma vida ardendo a
cada instante" ( T.S. Eliot ) - beijos


Posted By: nestor alberti 1/9/2003 4:21:04

papi, amo você.


quarta-feira, janeiro 08, 2003
 
voltei. a rotina ainda nao se fez de toda em mim. e aos poucos nao retorno a nada. recrio os meus dias. e assim sou feliz.



e aqui fotos